Historicamente, o ensino em ambientes informatizados teve início com a criação de alguns programas que são/foram chamados de ambientes para o desenvolvimento de atividades de ensino-aprendizagem Com o desenvolvimento da capacidade dos computadores, que permitem a transmissão de informações e a utilização de imagens, sons, animações etc., o grande interesse pelos softwares educativos deslocou-se para outros serviços, principalmente com a chegada da Internet (MELLO, 2009).
Como mais um espaço possível para a aprendizagem em ambientes que se faz uso das tecnologias digitais, e que se abre para a criação de espaços educacionais diferenciados, os chamados Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) tem se destacado nestes espaços. Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem são sistemas computacionais disponíveis na Internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação, eles permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e socializar produções, tendo em vista atingir determinados objetivos. Esses espaços virtuais de aprendizagem oferecem condições para a interação (síncrona e assíncrona) permanente entre seus usuários. A hipertextualidade facilita a propagação de atitudes de cooperação entre os participantes, para fins de aprendizagem (KENSKI, 2007). A conectividade garante o acesso rápido à informação e à comunicação interpessoal, em qualquer tempo e lugar, sustentando o desenvolvimento de projetos em colaboração e a coordenação das atividades. Essas três características – interatividade, hipertextualidade e conectividade – já garantem o diferencial dos ambientes virtuais para a aprendizagem individual e grupal (KENSKI, 2007).
No ambiente virtual, a flexibilidade da navegação e as formas síncronas e assíncronas de comunicação oferecem aos estudantes a oportunidade de definirem seus próprios caminhos de acesso às informações desejadas, afastando-se de modelos massivos de ensino e garantindo aprendizagens personalizadas (KENSKI, 2007). Os ambientes virtuais de aprendizagem caracterizam-se, assim, como espaços em que ocorre a convergência do hipertexto, multimídia, realidade virtual, redes neurais, agentes digitais e vida artificial, desencadeando um senso partilhado de presença, de espaço e de tempo. É importante perceber que as características tecnológicas do ambiente virtual devem garantir o sentimento de telepresença, ou seja, mesmo que os usuários estejam distantes e acessem o mesmo ambiente em dias e horários diferentes, eles se sintam como se estivessem fisicamente juntos, trabalhando no mesmo lugar e ao mesmo tempo (KENSKI, 2007).
As primeiras versões de ambientes virtuais de aprendizagem para educação foram modeladas com base em quatro estratégias relativas a suas funcionalidades:
- Incorporara elementos já existentes na web, como correio eletrônico e grupos de discussão.
- Agregar elementos para atividades específicas de informática como gerenciar arquivos e cópias de segurança.
- Criar elementos específicos para a atividade educacional, como módulos para o conteúdo e a avaliação.
- Adicionar elementos de administração acadêmica sobre curso, alunos, avaliações e relatórios. (FRANCO et al. 2003, p. 344)
Os primeiros ambientes ainda estavam ligados à visão de uma sala de aula presencial, mas “o uso desses ambientes mostrou, no entanto, que se tratava de uma outra realidade educacional, com características e sentidos próprios” (FRANCO et al. 2003, p. 344).
Vale ressaltar que as práticas educacionais em ambientes virtuais tendem a focar-se principalmente em um só elemento: ou no conteúdo, ou na informação, ou no aluno, ou no professor, e assim por diante (MELLO, 2009). Não é raro que se encontrem conteúdos desenvolvidos em sala de aulas presencias e que são apenas relocados em ambientes virtuais. A sala de aula não presencial não pretende substituir a sala de aula tradicional, mas aprimorar as atividades de ensino no sentido de sustentar a elaboração de significados.
Para realizar o ensino não presencial no meio telemático é preciso desenvolver um conjunto de ferramentas e serviços capazes de gerenciar o processo, chamados de ambientes telemáticos (MELLO, 2009). Estes ambientes segundo Mello (2009) devem apresentar:
- Comunicação: no qual a contribuição telemática está em oportunizar o estreitamento das relações entre escolas e instituições de produção cultural;
- Ambiente de pesquisa: constituem-se no compartilhamento dos bancos de dados, informações, ideias etc.;
- Publicação de formatos não lineares: neste caso os hipertextos;
- Simulação de situações reais: propiciado pela telemática, o que pode constituir-se numa excelente oportunidade para a formação do sujeito cognitivo, estruturador de suas próprias ideias;
- Oportunidades de aprendizagem: quando a telemática é colocada a serviço de propostas educacionais comprometidas e devidamente articulas com os currículos.
Além disso, devemos considerar que os ambientes virtuais de aprendizagem, na perspectiva não presencial possuem características diferentes daquelas próprias de um ambiente presencial. Neves et al. (2000, apud MELLO, 2009, p. 49) denomina os websites pedagógicos de “Ambientes Virtuais de Estudo”, que são reconhecíveis por três características tecnológicas, a saber:
Comunicação multidirecional efetiva (situação em que todos podem falar com todos de forma autônoma e com níveis de censura e etiqueta previamente acordados pelo grupo). Registro (gravação) de conteúdos produzidos pelo grupo. Acesso aberto no tempo espaço (permitindo a todos o gerenciamento de ritmo de aprendizagem e local de conexão). Inteligência coletiva (interesse do grupo e capacidade tecnológica para construir e compartilhar um saber comum) (NEVES et al., 2000 apud MELLO, 2009).
Há que se considerar que a inserção das tecnologias interativas nos ambientes de ensino requer reflexão sobre as formas de interação que se quer desenvolver nos meios telemáticos (Mello, 2009). É recomendável que as atividades presenciais de ensino adaptadas para os ambientes virtuais sejam analisadas de forma a considerar os novos significados de algumas noções e demais especificidades pedagógicas inerentes a esses ambientes.
* Texto extraído da Dissertação: Uso das Tecnologias no Ensino de Ciências: A web 2.0 como ferramenta de aprendizagem.